5 de outubro de 2008

Manifesto Situacionista

Uma nova força humana, que a estrutura existente não poderá dominar, cresce dia a dia com o irresistível desenvolvimento técnico e a insatisfação de seus usos possíveis em nossa vida social carente de sentido.

A alienação e a opressão nesta sociedade não podem ser mantidas sob qualquer uma de suas variantes, mas somente rejeitadas em bloco com esta mesma sociedade. Todo progresso real fica evidentemente em suspenso até a solução revolucionária da crise multiforme do presente.

Quais são as perspectivas de uma organização da vida em uma sociedade que autenticamente "reorganiza a produção sobre as bases de uma associação livre e igual de produtores"? A automatização da produção e a socialização dos bens vitais reduzirão cada vez mais o trabalho como necessidade exterior e proporcionarão, finalmente, a liberdade completa para o indivíduo. Livre assim de toda responsabilidade econômica, livre de todas as dívidas e culpas para com o passado e o próximo, o homem disporá de uma nova mais-valia incalculável em dinheiro porque é impossível reduzi-la para a medida do trabalho assalariado: o valor do jogo, da vida livremente construída. O exercício de tal criação lúdica é a garantia da liberdade de cada um e de todos na estrutura da única igualdade garantida contra a exploração do homem pelo homem. A liberação do jogo é a autonomia criativa, que supera a velha divisão entre o trabalho imposto e o ócio passivo.

A igreja queimou noutros tempos os pretensos feiticeiros para reprimir as tendências lúdicas primitivas conservadas nas festas populares. Na sociedade hoje dominante, que produz massivamente tristes pseudo-jogos da não-participação, uma atividade artística verdadeira é forçosamente classificada no campo da criminalidade. É semiclandestina. Surge na forma de escândalo.

Que é isso, de fato, mais que a situação? Se trata da realização de um jogo superior, que mais exatamente é provocada pela presença humana. Os jogadores revolucionários de todos os países podem reunir-se na Internacional Situacionista para começar a sair da pré-história da vida quotidiana.

A partir de agora, propomos uma organização autônoma dos produtores da nova cultura, independentes das organizações políticas e sindicais que existem neste momento, pois questionamos a capacidade delas de organizar outra coisa que a manutenção do que existe.

O objetivo mais urgente que estabelecemos a tal organização, no momento em que deixa o estágio inicial experimental para uma primeira campanha pública, é a tomada da UNESCO. A burocratização, unificada em escala mundial, da arte e de toda a cultura é um fenômeno novo que expressa o profundo parentesco dos sistemas sociais coexistentes no mundo, sobre a base da conservação eclética e a reprodução do passado. A resposta dos artistas revolucionários a estas novas condições deve ser um novo tipo de ação. Como a existência mesma desta concentração administrativa da cultura, localizada em uma construção única, favorece o roubo por meio do golpe e como a instituição é completamente destituída de qualquer senso de uso fora de nossa perspectiva subversiva, nos achamos justificados diante de nossos contemporâneos para tomarmos tal aparato. E o faremos.

Estamos decididos a nos apossarmos da UNESCO, mesmo que por pouco, já que estamos seguros de fazer disso rapidamente uma obra que permanecerá, para esclarecer uma longa série de perguntas, como a mais significativa.

Quais deverão ser os principais caracteres da nova cultura e como ela se compararia com a arte antiga?

Contra o espetáculo reinante, a cultura situacionista realizada introduz a participação total.
Contra a arte conservada, é um organização do momento vivido diretamente.
Contra a arte parcelar, será uma prática global que se dirija ao mesmo tempo sobre todos os elementos utilizados. Tende naturalmente a uma produção coletiva e, sem dúvida, anônima (pelo menos na medida em que, ao não estar as obras armazenadas como mercadorias, tal cultura não estará dominada pela necessidade de deixar traços). Suas experiências se propõem, como mínimo, uma revolução do comportamento e um urbanismo unitário, dinâmico, suscetível de estender-se ao planeta inteiro; e de ser prolongado seguidamente a todos os planetas habitáveis.

Contra a arte unilateral, a cultura situacionista será uma arte do diálogo, uma arte da interação. Os artistas – com toda a cultura visível – chegaram a estar completamente separados da sociedade, do mesmo modo que estão separados entre si pela concorrência. Mas antes inclusive deste corredor sem saída do capitalismo, a arte era essencialmente unilateral, sem resposta. Superará esta era fechada do primitivismo por uma comunicação completa.

Ao ser, em um estágio avançado, todo mundo artista, isto é, inseparavelmente produtor-consumidor de uma criação cultural, se assistirá a dissolução rápida do critério linear de novidade. Ao se tornar todo mundo, por assim dizer, situacionista, se verá a uma inflação multidimensional de tendências, de experiências, de "escolas" radicalmente diferentes e isto não já sucessivamente, mas simultaneamente.

Inauguramos agora o que será, historicamente, o últimos dos ofícios. O papel de situacionista, de amador-profissional, de anti-especialista, é ainda uma especialização até o momento da abundância econômica e mental no qual todo mundo se tornará "artista", num sentido que os artistas não alcançaram: a construção da própria vida. Entretanto, o último ofício da história é tão próximo da sociedade sem divisão permanente do trabalho, que quando aparece, seu estado de ofício foi negado.
Aos que não nos compreenderam bem dizemos com um irredutível desprezo: os situacionistas, de quem vocês acreditam serem os juízes, vos julgarão um dia ou outro. Esperamos vocês no momento crucial que é a inevitável liquidação do mundo da escassez, sob todas as suas formas. Estes são nossos fins e serão os fins futuros da humanidade.

Internationalle Situationniste nº 4, 1960

5 de setembro de 2008

Epílogo da ocupação

Para que a Universidade se consolide como uma instituição democrática é necessário que congregue no seu seio todos os seguimentos que constitui a sociedade, independente de cor, etnia, sexualidade ou classe social, e mais do que isso é necessário que garanta a permanência e igualdade de oportunidades desses grupos a fim de possibilitar a todos o acesso a cultura e ao conhecimento.

Sabemos que a assistência estudantil, bem como o acesso de todos à universidade, é uma das principais bandeiras defendidas pela história do movimento estudantil. Somente quando estiver assegurado o acesso à cultura e ao conhecimento para todos aqueles que não possuem condições materiais, é que a universidade consolidará a democracia entre os seus membros. A moradia estudantil, assim como a alimentação, a bolsa permanência, a assistência médica, o acesso ao livro, em suma, a assistência estudantil em geral, bem como a educação gratuita e de qualidade, está assegurada desde 1988 pela Constituição Federal do Brasil. Portanto, é dever do Estado, representado pelas reitorias, responsabilizar-se pela permanência dos estudantes carentes desta instituição federal de ensino superior.

As universidades públicas brasileiras têm passado por constantes expansões nas épocas recentes, porém a pretensa democracia que tem se desvelado no seu acesso não tem se estendido no que diz respeito a permanência dos seguimentos antes excluídos. Exemplos dessa situação são encontrados no projeto do REUNI e na política de ações afirmativas, que pretendem dar forma a democracia latente que pulsa nas veias da sociedade, porém têm se demonstrado insuficiente para atender as expectativas mais básicas daqueles que vislumbram as mesmas possibilidades das elites que desde sempre percorrem os corredores da academia.

O que é apresentado ao cotidiano da UFOP tem copiado insistentemente essa realidade segregante. A Universidade recebeu nesse último vestibular mais de 1000 alunos, sendo que no mínimo 30% desses são oriundos do ensino público, que se constitui a única alternativa da maioria dessas pessoas que ainda esperam do Estado o que lhe foi negado durante toda a história da sua existência.

Essa situação gerou a ocupação da PRACE na última terça-feira, quando mais de 20 alunos, entre os quais se apresentavam 5 alunos negligenciados pela debilitada assistência estudantil da UFOP, aos quais se somaram mais 8 na mesma situação, e inúmeros outros que exigiam o direito a assistência estudantil como condição para permanência desses 13 alunos.

Embora o resultado da ação direta realizada pelos estudantes tenha se demonstrado satisfatória (13 bolsas permanência e a promessa do atendimento as necessidades dos demais alunos da lista do alojamento estudantil), ainda se demonstra muito pequena frente a irresponsabilidades dessa e das outras administrações com relação a moradia estudantil socio-ecônomica, que hoje atende aproximadamente 1% dos alunos da instituição.

Diante das conquistas dessa ação direta fica claro que o movimento estudantil, organizado e unido, como é demonstrado em toda a sua história, apresenta melhores resultados do que a esperança depositada pela demagogia das atuais lideranças da maioria dos seguimentos institucionais da sociedade brasileira. Mais do que ocupar um espaço físico, é condição necessária desocupar as consciências de toda a dissimulação estabelecida, tornando-as conscientes das contradições ocultadas em nossa sociedade.


Todas as ocupações são impossíveis até se tornarem inevitáveis.


Assinam:

MOPRACE e Coletivo Amar e Mudar as Coisas.

31 de agosto de 2008

Carta Manifesto do Movimento de Ocupação da Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários e Estudantis - UFOP

CARTA MANIFESTO

A moradia estudantil, assim como a alimentação, a bolsa permanência, a assistência médica, o acesso ao livro, em suma, a assistência estudantil em geral, bem como a educação gratuita e de qualidade, está assegurada desde 1988 pela Constituição Federal do Brasil. Portanto, é dever do Estado, representado pela reitoria, responsabilizar-se pela permanência dos estudantes carentes desta instituição federal de ensino superior.
Assim sendo, nós, alunos da Universidade Federal de Ouro Preto, aqui ocupados na PRACE - Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários e Estudantis da UFOP, exigimos que o Magnífico Reitor Dr. João Luiz Martins, se comprometa a oferecer uma solução emergencial a todos os estudantes que foram classificados pelo processo seletivo para ocuparem vagas no alojamento estudantil e que, no entanto, não serão alocados imediatamente nessas moradias, por serem somente 7 (sete) as vagas disponíveis neste momento.
Exigimos também que os estudantes membros da ocupação não sofram nenhum tipo de penalidade, visto que o movimento é de cunho pacífico e, sobretudo, por se legitimar na luta daqueles estudantes que não possuem condições materiais de se manterem nesta instituição.
Cabe ressalvar que em nenhum momento o movimento impediu o funcionamento da PRACE - Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários e Estudantis, permitindo o livre acesso, entrada e saída, tanto dos funcionários locados nesta seção quanto dos que procuraram atendimento durante o período da ocupação.
Diante da proposta do reitor, de solucionar a emergência apenas dos cinco alunos classificados no processo seletivo supracitado, de serem beneficiados por uma bolsa permanência de R$ 300,00 (trezentos reais) por somente estarem eles presentes durante a negociação com o reitor neste ato de ocupação pacífica, o movimento propõe que o mesmo benefício seja estendido aos outros alunos classificados neste edital de seleção, visto também que estes são merecedores do mesmo respeito e direito de permanecerem nesta universidade. É importante que a PRACE divulgue a toda comunidade acadêmica e em todos os meios de comunicação possíveis o direito de aquisição ao benefício reivindicado, além de conceder um prazo razoável para que os alunos interessados consigam manifestar o devido interesse.

Exigimos também:
- A garantia de bolsa permanência a todos os alunos que comprovarem, através de critério sócio-econômico, não terem condições de se manterem nesta instituição.
- que seja divulgada a lista completa dos moradores ocupantes das Republicas Federais, e que a PRACE monitore o coeficiente acadêmico dos alunos, a fim de averiguar possíveis empecilhos que estejam dificultando a boa formação do aluno.
- que a PRACE dê um posicionamento final (prazo de 01 mês) a respeito da questão do processo seletivo ocorrido para a República Jardim Zoológico.

O movimento, portanto, resolve não desocupar a PRACE até que seja garantido, em ofício assinado pelo Pró-Reitor da Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários e Estudantis, o Sr. Rafael Magdalena, e pelo Magnífico Reitor Dr. João Luiz Martins, o compromisso de solucionar nossas reivindicações.

Ouro Preto, 27 de agosto de 2008.

MOPRACE - Movimento de Ocupação da
Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários e Estudantis – UFOP
Coletivo Amar e Mudar as Coisas

28 de agosto de 2008

lua vaga em noite ocupada

não vou ceder meus cabelos ao divertimento alheio
nem submeter meu pescoço às placas de moradia
não quero fazer joça aos direitos do corpo
nem comprá-los à custa de ordens ditas pela tradição
ter onde encostar a cabeça é algo sagrado
quando esta pede repouso

(a ave tem ninho e mora no céu
pois cedo se ouve o canto seu)

meu segredo é a humilhação sem batalhas
humilhação feita de humus e terra
terra sem traição das minhas buscas
: minha cara dada a tapas por motivos justos

não quero fazer posse do telhado público
onde se estendem bandeiras sujas
costuradas de privilégios
e cores que não correspondem à razão
daqueles sem abrigo

a lista dos que carecem é pendurada na sala de espera
as autoridades não demonstram urgência na resolução
desde passados
a caixinha recorda coisas pequenas, apenas
mas o treinamento de favores não
(e há bixos que sabem disso)

aos nomes descontemplados
parece restar uma opção no acaso
ocupar o gabinete da assistência
e alojar-se entre as falhas e a burocracia
incomodar é preciso enquanto se vive incomodado
(pena de pena aos acomodados da torre de marfim
sentados na pedra)
conto de fardos nesta cidade amontanhada

estas ruas são por demais estreitas
e íngremes o seu percurso mal desenhado
(nisto está a beleza delas)
a princípio não dão em nada
sem mãos e o mínimo esforço
mas a causa não é boa só nos livros
inclusive
estes precisam de uma casa

--
deivid junio.

25 de agosto de 2008


O imaginário daqueles que sonham, cada vez mais, assimilam entidades um tanto quanto peculiares. Através da assimilação do real, novas imagens gradativamente empatam o imaginário, promovendo a sua total banalização por meio de desejos que refletem o conteúdo morto que está por detrás das vitrines. Não é através da razão - ou qualquer outra faculdade do conhecimento - que nós tracejamos a felicidade, mas justamente é através da imaginação que a felicidade tem o seu corpo definido; talvez seja por isso que a garantia de felicidade oferecida pelo consumo de mercadorias sem-vida consiga inserir, dentre os olhos dos que (não)vêem, uma falsa similaridade com aquilo que há tanto é objeto de desejo da imaginação. É preciso atentar para o fato de que a imaginação não pode se comprouver com o alimento prático-imediato que é dado através de merchandises. Esse paliativo é o vício que atrofia a criatividade: se a imaginação se vende à realidade capital, nada é conseguido além do que já se possuía e é enterrada viva a capacidade de transpor o momento vivido. Os olhos passaram a ser os maiores consumidores e a imaginação o grande depósito de imagens-mercadorias. A felicidade tanto nos é imputada quanto a liberdade, que se restringe tão-somente a escolher o produto de uma falsa identificação. A realidade torna-se ainda mais estreita, e a imaginação e os anseios diurnos dificilmente encherão de ar os seus pulmões num mundo que se tornou demasiadamente poluído.

6 de agosto de 2008

Qual será seu futuro na Universidade?

A projeção de nossas vidas tendo em vistas um futuro melhor é parte constituinte da essência humana. A juventude, por sua vez, caracteriza-se por ser o ápice do desejo de mudanças, pelos sonhos de uma vida melhor.

Dentro deste contexto, cabe levantarmos algumas questões. Qual o real propósito de sua tentativa de entrada numa universidade pública? O que você espera desta universidade caso consiga passar no exame vestibular? Com relação ao curso selecionado, quais são as suas motivações para a área escolhida? Como você pretende se colocar diante da sociedade após a sua formação?

Certamente você deve ter se preparado para realizar o exame vestibular. No entanto, qual foi a verdadeira relevância do conteúdo aprendido nesta preparação, que foi lhe imputado visando pura e simplesmente o seu treinamento, muitas vezes sem nenhum tipo de reflexão? É importante ressaltar que, antes mesmo da sua entrada na universidade, a sua função enquanto ser pensante é parcialmente mutilada. Essa diversidade de ensinamentos proferidos ao longo de extensos anos de estudos, por fim colocam os estudantes como meros indivíduos disformes, numa razão mercantil uniforme, cujo fim último chama-se vestibular. O vestibulando, bem treinado e alimentado torna-se um autômato, esquecendo-se daquilo que realmente o torna humano: a sua capacidade de reflexão e escolha.

O mito recorrente de que na universidade tudo será diferente se revela falso. O fim ultimo passa a ser a inserção no mercado de trabalho. Ao invés de um espaço de desenvolvimento das verdadeiras potencialidades humanas, vemos uma capacitação para melhor vender o trabalho alienado. Se você acredita que seu futuro poderá ser melhor, convêm avisarmos: dentro da atual lógica mercantil, seu destino já está fadado. Um quadro na parede, um titulo, um emprego, uma casa própria, um bom carro e a eterna angústia de possuir apenas a liberdade de escolha para consumir e ser consumido. A universidade não gera conhecimento autônomo, visto que as pesquisas e a maioria das produções acadêmicas, de modo geral, estão voltadas para a manutenção de um sistema perverso que caminha para autodestruição humana: o esgotamento dos recursos naturais conjuntamente ao niilismo no qual se encontram os seres humanos tornaram-se os verdadeiros precursores deste abismo existencial, que se apega ao consumismo inveterado ao invés de repensar quais as possíveis soluções diante tal colapso.

Enquanto a sociedade clama por mudanças, a universidade se cala em seu academicismo. O privado se confunde com o público. Funciona como ponte de ligação entre o vestibular e o bom emprego. Enquanto isso, a sociedade, que mantêm o funcionamento da universidade, tornou-se simplesmente um espaço de exploração para a livre iniciativa (a livre competição do aniquilamento), num conflito que coloca todos contra todos e determina que somente os mais aptos se sobressairão.

A todos os que foram selecionados por meio desse darwinismo acadêmico, cabe dizer: a sua tão almejada liberdade limitar-se-á ao pequeno leque de opções que o sistema irá lhe impor. (Se preferir, lute por mudanças!)

16 de julho de 2008

Por que não se calam?

Queria que se calassem as vozes escritas que incomodam meus olhos. Queria que se calassem.

A poesia, a hipocrisia, a azia, a poeira, a ausência de burguesia destas pronúncias que diz provocações e ri do meu jeito certo. Queria que se calassem os que falam mal das tradições. O que seria dos indígenas, dos negros, dos ateus, dos militares, dos bruxos, dos santos, das humanidades sem as tradições que perduram duras e brilhantes pra reinar o bem?

Queria que calassem suas palavras de poesia e descontentamento. No momento nada disso vale a pena pra ninguém e vocês não se convencem disso.

Tudo o que incomoda meu pensamento e me contradiz deve ser calado. Não quero tocar em assuntos e verdades definitivas pra mim. Não quero que ameacem minha paz.

Prefiro que se calem e me deixem gozar da alegria dos reis em minhas fantasias. Eu parafraseio o rei de Espanha contra o fingimento das palavras. As palavras de vocês fazem doer as minhas crenças, seus desbocados!

Queria que se calassem, que desescrevessem, que despoesiassem, que se contentassem com minhas devotas tradições tão decanas...

Queria que se calassem os que, nas discussões, quando se vêem contrariados, as encerram. Pois, dentro de minha vontade de diálogo e luz de velas, não me recuso às discussões.

Queria que se calassem mas não desligassem meus microfones e megafones. Acusam-me de ofendê-los, mas na verdade espalharam com suas mentiras que nas repúblicas pessoas comem manteigas por meio de orifícios inapropriados.

Queria que se calassem, pois nos acusam de promovermos humilhação e sujeição nas hierarquias. São covardes por isso e não reconhecem nossa luta contra a indolência.

Inventam argumentos que nunca provam. Queria que se calassem uma vez que não têm como provar. Só agradam meus ouvidos e olhos e ânus as coisas prováveis.

Queria que se calassem com sua conduta mascarada de intelectualidade. Vocês espalham boatos e armam as mãos dos covardes.

Calouros, não se entreguem às paixões desses coitados que gritam chaves como "democratizar" e "liberdade"; palavras assim sempre foram usadas por grandes calhordas que mereciam ser queimados.

Queria que se calassem. Queria que se calassem os generalistas por que eles são generalistas e não são generais. E loucos por espalhar seus desejos nos desejos de todos. Queria que se calassem os utópicos com sua mania de possível impossibilidade.

Eles, não velhos, nem safados, como eu. Eu que só queria que se calassem. E não comessem mais nada de mim.

Por mim mesmo, deivid junio.

8 de julho de 2008

Marina Silva: As Universidades estão alheias à Questão Ambiental

Vê mas não percebe, ouve mas não compreende (Marina Silva)

Li na internet sobre a decepção de dois universitários, Giuliano e Carlos, que após percorrerem cinco mil quilômetros em nove estados, para sensibilizar estudantes de doze universidades e incentivá-los a ir ao Fórum de Comunicação e Sustentabilidade (realizado em junho, em Brasília), viram seu esforço reduzir-se a 130 presentes, de uma lista de mil inscritos, que foi o que restou da expectativa inicial de três mil participantes.
[...]
Quero dizer a Giuliano e Carlos que seu trabalho foi admirável e os resultados muito bons, até porque levantaram de maneira inusitada uma grande e necessária interrogação: de que maneira, hoje, um jovem pode pretender ser revolucionário e questionar as estruturas?

Certamente não o será por meio dos fetiches do consumo, da revolução fast food entregue em casa - by delivery - pela televisão. Será na mediação entre o vivido e o compreendido pela via das informações, da imaginação, da ação e das emoções. Será sempre caminhando no rumo de uma bela utopia.
[...]
A rebeldia de 68 exigia liberdade, democracia, paz, alegria. Atacava a hipocrisia dos costumes e as instituições autoritárias. Influenciou inúmeros movimentos posteriores que ajudaram a desenhar os contornos da utopia de agora, da revolução de nossos tempos. Que mudou de tom, tornou-se mais complexa, sofisticada, e menos um enfrentamento linear com o "mal", pretendendo saber exatamente o endereço e o nome do "bem".

Hoje, a utopia é mais exigente, porque o "bem" e o "mal" não estão evidentes, não estão encarnados na individualidade de heróis. Estão na trama, no tecido, no encontro das diferenças e na capacidade individual e coletiva de descobrir identidades, objetivos comuns. Hoje, está agudamente claro que a revolução é civilizatória e depende muito mais de entendimento do que de doutrina.
[...]
É verdade que o uso do discurso "sustentabilista" como mera ferramenta de marketing complica e confunde. Daí a importância da insistência, da criatividade e da expansão dos temas que trazem o cerne do conceito, ou seja, equilíbrio ambiental, eqüidade social, economia não predatória, respeito à diversidade e recriação da prática política.

Em tese, universidades seriam o espaço de acolhimento e fecundação do desenvolvimento sustentável, não só como objeto do conhecimento acadêmico mas como bandeira de engajamento político. E isso não está acontecendo
, como Giuliano e Carlos constataram com angústia e constrangimento.

Mas não devem criticar apenas o jovem que faz cara de paisagem. É preciso, também, questionar a própria instituição Universidade, com seu estranho alheamento, em plena crise ambiental global aguda, exposta em todas as mídias. Que tipo de estímulo os jovens recebem? Quem são hoje nas universidades os grandes intelectuais, mentores e fomentadores da atitude de mudança?

As entidades estudantis, por sua vez, parecem ainda não terem ressignificado suas formas de organização e militância para dar conta das questões do presente. Talvez não tenham sabido fazer a transição da pauta política de décadas atrás, ou percebido quais os caminhos da transformação das estruturas na atualidade.

O alheamento também traduz descrença generalizada, o que induz à descrença em si mesmo, à sensação de impotência ante a magnitude dos desafios. Você se limita a assistir. Assiste ao espetáculo dos problemas sociais, da fome na África, da degradação ambiental global, da violência, da intolerância, sem se ver, em nenhum momento, como parte do problema ou da solução. É o sujeito-espectador. Como diz o provérbio bíblico, vê mas não percebe, ouve mas não compreende e, às vezes, sente mas não se compromete.

Estamos submetidos à superexposição da informação, sem nenhum chamado ao compromisso. É um combinado de hiperassimilação dos problemas com baixo nível de consciência e atitude.

Portanto, que os muitos Giulianos e Carlos das utopias civilizatórias não desanimem! Ao contrário, agora é que precisamos de todo o nosso ânimo e de tranqüilidade para descobrir ganhos, mesmo nos momentos em que, aparentemente, o fracasso é retumbante.

(http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI2994399-EI11691,00.html)

4 de julho de 2008

Qualquer maneira de amor vale amar*

11 anos depois da 1ª Parada do Orgulho GLBT do Brasil, em São Paulo, Ouro Preto (MG) desfila, na mesma ocasião da data dedicada mundialmente ao orgulho homossexual, a bandeira Arco-íris sobre suas ruas de pedra.

Com uma programação de três dias (27, 28 e 29 de junho) que privilegiou mais o entretenimento, a balada e a descontração dos shows e de boates montadas especialmente para o evento, e sob o tema “Amor, Liberdade, Respeito à Igualdade Social e Racial”, a Parada propôs poucos debates mas gerou muita discussão e opiniões avessas na população ouropretana e na comunidade universitária, aliás, as duas revelaram-se afinadas em um ponto: o tradicionalismo mofado de preconceitos.

Nos dias que precederam a realização da Parada, eram comuns a desconfiança, o deboche, a curiosidade e a fobia nas conversas que pairavam praças, comércios e bares, esquinas, ônibus, em filas de bancos e nas filas dos restaurantes universitários. Enfim, o evento, por si só, ampliou em pouco tempo um debate que fez cair máscaras ou fez calar opiniões mais tímidas. E “o preconceito bate no peito esclarecido”. .. Algumas repúblicas estudantis federais da Ufop, principalmente aquelas situadas no centro histórico da cidade e, mais ainda, no trajeto da passeata de domingo, famosas por sua tradição e seu carnaval, tiveram a atitude de recolher suas placas de nome e símbolo de suas portas por ocasião do evento. Não queriam se ver exibidas na paisagem da manifestação pelo respeito à diversidade sexual? Pretendiam confirmar visualmente o não envolvimento de seus nomes sagrados na festa das cores? Tiveram medo de aproveitar a alegria do orgulho e, embora fora da época, se entregar ao carnaval, mas do respeito e da paz?

A homofobia está em todos os setores da sociedade, em todas as classes, no meio universitário com seu esclarecimento reivindicado, nos discursos religiosos e culturais, nos processo seletivos do mercado, no olhar preconceituoso da tradição e no interesse do sistema em busca de grupos consumidores. Recordo aqui que, independentemente da sexualidade ou pertencimento a grupo étnico, poder aquisitivo é sinônimo de inclusão neste contexto social capitalista.

O Arco-íris pretende acordar para a necessidade de conciliar todas as cores, as mais diversas, num mesmo compromisso: o respeito às diferenças e o reconhecimento de que aí reside a riqueza da natureza, plena em suas cores e formas, em sua bio-diversidade, em sua perfeita convivência.
.
Esperamos da Universidade, lugar privilegiado de diálogo das diversidades e valorização do que realmente é universal, uma política que incentive dentro e fora de seus espaços o cumprimento do respeito à diversidade sexual (gays, lésbicas, bissexuais, transgêneros) , visto que pensamos sair daqui pessoas íntegras e sociais, a serviço de uma sociedade que abarca todas as diferenças possíveis... e nós estamos inseridos nela.
Oxalá, encontremos o caminho!

*O título foi extraído da letra da canção ‘Paula e Bebeto’ de Milton Nascimento e Caetano Veloso
--
Deivid Junio - graduando em filosofia/Ufop
--
Saiba como tudo começou... 28 de Junho: Dia mundial do orgulho GLBT
por meio do sítio:

30 de junho de 2008

100 cores. Sem placas


A casa dos rituais atravessa as décadas
pública pouco pública,
publica mais uma aversão
.
Soberba, retiro da porta o nome sagrado
da casa profana.
Não suporto cores.
Sou dono da rua
Direita é a vida dos que não se misturam.
.
Meu preconceito bate no peito esclarecido.
A diversidade de cores comove o céu de onde elas vêm,
mas aqui só existe a cor macha.
Somos federais
Somos maiorais
da cidade
da universidade somos os mais tradicionais
e não queremos ruptura.
.
As pedras das ruas são nossas,
nelas desfilamos nossas alegrias.
.
As pedras das ruas não são dos alegres
no seu dia de orgulho e alegorias.
.
O pedregulho que é esta cidade
tem de gritar na ausência de profetas
o fim da vergonha que atravessa o século
orgulhoso da tecnociência.
.
As marginalizações tatuadas na história
falam do quanto a pedra é dura,
mas penetrável.
.
A república federativa das delícias esconde o nome,
deixa de ser país em nome do medo,
não quer acolher os cem nomes
que protestam o direito feliz
de diversamente amar
diversamente mudar
as coisas e fobias.
--.
deivid junio.

23 de junho de 2008

Paradigma do para-além


A revolução gira o corpo em volta de si mesma. Tonta-de-tanto rodopiar, não consegue manter-se em pé. A Revolução Francesa, a involução que ainda persiste. A revolução copernicana, o homem como o centro narcísico do universo. A revolução cientifica, a reprodução estética em série de coisas com o aspecto diferente e conteúdo indiferente. As revoluções "artísticas", a exigência pelo novo que acabou por tornar-se o velho e mesmo novo de sempre. Roda-roda revolução, nesta brincadeira nauseante. O tempo é a roda que nos faz dar voltas no (i)limitado anel da vida. O suor é em vão. Todo coração é uma célula paralisada.
O pH da vida, dir-se-á básico: nascer, crescer, reproduzir (às vezes) e morrer. O ácido graxo tomou o lugar do ácido lisérgico: a psicobulimia expulsou a psicodelia. Gira-gira revolução. Quantas voltas de carro, quantas voltas no shopping, quantas voltas no parque, quantas voltas são necessárias para ficar estonteado? A linha sem-graça é o disfarce que o círculo veste para fazer da vida uma falsa progressão.
Enquanto o ser humano dá cambalhotas na beira do abismo, a sua re-evolução nunca veio a ser, nunca teve faísca. Espera o seu início enquanto o homem se alimenta das revoluções por minuto de um motor que recolhe toda a sua energia num suicídio cotidiano contra o tempo, que se sabe implacável. Para onde foi a desobediência? Se a encontrarem, peçam-lhe que volte logo e lhe digam que há muito por fazer.

22 de junho de 2008

Monumento à

Ouro Preto, uma vila que não é rica somente em seu aspecto mineralógico, mas também na acumulação continua da ganância exploratória. Denominada o patrimônio histórico e cultural da humanidade, a cidade de Ouro Preto carrega no bojo dessa denominação o fruto de uma contradição que ainda é negligenciada: “Nunca houve um monumento da cultura que não fosse também um monumento da barbárie”.
O erro de nos servimos do conceito histórico de progresso, seguindo a tendência liberalista, é o de que ele leva em consideração unicamente a progressão infinita, rumo ao futuro, soterrando um passado que ainda é presente e que clama por auxílio. O espírito universal se apresenta a nós como um desarticulado amontoado de momentos, cuja obsessão é tão-somente a de acumular fatos.
O que se torna mais assombroso não são somente os fatos já ocorridos durante a exploração do ouro em Vila Rica, mas saber que eles “ainda” sejam possíveis. A transmissão dos dominadores ocorreu silenciosa, e os atuais “vencedores” servem-se de suas heranças para continuar a “espezinhar os corpos daqueles que estão prostrados no chão”. Atualmente, o ciclo de exploração da grande indústria metalúrgica ocupa o mesmo lugar que antes o governo colonial assumira, ou seja, a extração acentuada para manter a sua própria ganância. A característica principal das multinacionais aqui instaladas não parece ser outro senão deixar-nos a fumaça degradante que se confunde com a névoa noturna de Ouro Preto, além das imensas crateras, que se tornaram também as imagens cristalizadas da exploração de um lucro cujo objetivo é o de alimentar os fartos corpos da cobiça.
A população de Ouro Preto em sua maioria é herdeira das explorações outrora ocorridas no período de escravidão. O ouro cedeu lugar ao ferro, mas os descendentes dos escravos ainda vêem-se obrigados a vender sua força de trabalho para a indústria mineradora em troca de um salário que reflete o estado de exceção visto tanto nos distritos quanto nas proximidades da cidade de Ouro Preto. A renda média da população pobre permanece muito abaixo do mínimo necessário à manutenção de uma vida realmente sustentável e que dê conta de suprir todos os anseios promotores de uma vida digna ao ser humano. A escravidão, hoje, equivale à troca injusta por um salário que mal atende a questão da sobrevivência.
Por sua vez, a marginalização da população promovida historicamente é também acentuada pelo crescimento urbano não planejado que, aliado ao aspecto geográfico desta região oferece aos olhos nus a paisagem que foge da estilização barroca do centro histórico, qual seja, a das pequenas favelas aos arredores da cidade.
Com relação à política predominante na cidade, a transmissão do coronelismo persiste sobre o lombo daqueles que, por falta de acesso a uma educação adequada, acabam por assimilar inocentemente os restos que lhes são doados. Até mesmo os estudantes de nossa universidade parecem coadunar com a elite vencedora, utilizando-se de práticas assistencialistas com o único intuito de defender seus interesses obscuros.
Ouro Preto tornou-se tão-somente o patrimônio turístico da humanidade enquanto o seu aspecto histórico é silenciado em função de uma banalização, agenciada pela astúcia do turismo, que não promove outra coisa que o entulho de fotos digitais cujo único objetivo é o de registrar compulsivamente momentos inteiramente vazios. Todavia, Ouro Preto deve sim ser entendida como patrimônio histórico da humanidade, mas de uma humanidade que tem como herança um amontoado diverso de explorações que ainda perduram num grito tapado pela mão invisível da história.
Notar os ecos de vozes caladas, reconhecer os apelos do passado, sentir o sopro de ar das gerações anteriores, eis um projeto que traz em si uma nostálgica intenção que não se pode esquivar. O passado nos olha, cabe a nós, por fim, a ele direcionarmos os nossos olhos, basta que o notemos nas faces daqueles que herdaram o fardo do abuso.

12 de junho de 2008

Debate sobre o maio de 68 no IFAC

Nesta sexta-feira, 13/06/2008, às 14h, a professora do Departamento de História (DEHIS) da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Isis Pimentel, irá conduzir no Jardim do Instituto de Artes e Filosofia (IFAC) da Universidade um debate sobre a importância do maio de 68, no segundo encontro promovido pelo projeto Ágora.

O mês de maio de 1968 representou o auge de um momento histórico de intensas transformações políticas, culturais e comportamentais que marcaram a segunda metade do século 20.

O projeto Ágora tem a proposta de promover uma circulação livre de idéias na comunidade acadêmica acerca de diversos temas, na qual espera-se a participação ativa de todo público ouropretano e da região, onde todos os presentes terão a possibilidade de intervir na proposta em discussão.

10 de junho de 2008

Plano Institucional da UFOP no REUNI

Confira num dos endereços a seguir o Plano Institucional da UFOP de adesão ao Programa de Apoio ao Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI) criada pela comissão UFOP/REUNI.

http://www.ufop.br/downloads/JornalUFOP/reuni_09jun2008plusacordometas51.pdf

ou

http://www.ufop.br/index.php?option=com_content&task=view&id=2724&Itemid=196

20 de maio de 2008

MAIO de 68

40 anos deste marco para o Movimento Estudantil



Pesquise, Reflita!

Carta de ouropretanos enviada à UFOP*

Ao Excelentíssimo Senhor Reitor da Universidade Federal de Ouro Preto
Professor Dr. João Luiz Martins
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Diante de alguns pronunciamentos e rumores por parte dos alunos-moradores das repúblicas federais da UFOP, viemos expressar nossas preocupações e insatisfações diante da situação. Esse grupo de alunos, apoiados pelos principais gestores e docentes da UFOP, se interessara em buscar compor o espaço político e democrático que administra a cidade de Ouro Preto com intuito de eleger nas próximas eleições um vereador que represente essa classe “republicana” – mas já alegando em algumas propagandas o desejo de uma “Ouro Preto melhor”. A transferência do título eleitoral como mecanismo de apoio e de participação direta nas eleições municipais não é um ato ilegítimo e inconstitucional, mas a forma com que esse artifício está sendo conduzido pelos “republicanos” beira à ridicularização e à banalização do exercício da cidadania em nossa cidade lembrando os anos sombrios do coronelismo, do voto de cabresto e, ao mesmo tempo, leva a comunidade ouropretana a imaginar o espaço político como um teatro aberto à incorporação de mais um grupo de figurinos.Primeiramente, gostaríamos de ressaltar que a comunidade ouropretana nos seus mais de 300 anos sempre procurou combater grupos de interesses idênticos aos atuais “republicanos” desde o início de sua fundação, cujo princípio de tais grupos eram extrair e explorar as riquezas da região formando em seguida novos grupos compostos pelos “homens bons” vinculados à elite comercial e política da região. Esses foram os pilares de sustentação da nossa cidade, sempre apoiados na exploração de uma mão-de-obra escrava, servil e, até o momento, assalariada. Haja visto, as próprias pesquisas de opinião realizadas pelo núcleo de pesquisa da UFOP (Neaspoc) confirmam as mazelas que ainda assolam a cidade.
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Da escravidão à atualidade, nós, ouropretanos, sempre deparamos com as muralhas que nos renderam ao papel de simples espectadores onde as rédeas tomadas e conduzidas pela elite local podem ser nas próximas eleições compartilhadas com os figurinos “republicanos” completamente desinteressados em uma Ouro Preto melhor, mais justa e igualitária. A herança maldita permanece e os alunos moradores das repúblicas federais de Ouro Preto vem nos extorquindo desde a fundação de suas moradias estudantis. Auferir lucros locando esses espaços é um comportamento, no nosso entender, leviano e sempre praticado graças ao aval e consentimento da própria UFOP. Entretanto, o nosso descontentamento passou a se manifestar de forma mais aguda a partir do momento que os atuais “republicanos” procuraram cooptar e conquistar alguns ouropretanos adotando um comportamento típico dos potentados locais como a utilização de um assistencialismo barato. Doações de mesas para escolas e latinhas para órgãos sociais podem até ser boas ações, mas não resolvem os graves impasses que sempre atormentaram a cidade, conhecidos como a desigualdade e a injustiça.
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Para ingressar-se na política de Ouro Preto deve-se, primeiramente, se livrar do ranço das segundas intenções, algo tão difícil aos “republicanos”, pois, ao tentar realizar um rock do título, comprovou-se realmente a sua falta de compromisso, de seriedade e de responsabilidade para com a comunidade ouropretana onde o espaço público compreendido por eles não passa simplesmente de um cabide de emprego onde as regalias correm soltas. Deixar se conduzir por um comportamento medíocre e infantilizado é deixar se conduzir pela barbárie. Esperamos que os atuais gestores da Universidade Federal de Ouro Preto tomem consciência dos fatos ocorridos e se manifestem como representantes de uma instituição de ensino superior pública visando compromisso sério com a população e com a comunidade local posicionando contra essa tradição interesseira, injusta e carniceira.
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Gilson César Xavier Moutinho (ouropretano morador do Bairro Bauxita)
Wellington Júnio Guimarães da Costa (ouropretano morador do Bairro Antônio Dias)

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*A carta foi postada originalmente com comentário no blog do Coletivo Amar e mudar as coisas, pelo morador ouropretano identificado como Gilson, em 09 de maio de 2008, no link:
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19 de maio de 2008

Criação de Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários e Estudantis é anunciada na abertura do Fonaprace

“A razão de ser de uma Universidade são os estudantes. Eles são o centro da ação educativa. O conhecimento não pode ficar à frente do cidadão que precisa ser moldado,” João Luiz Martins

O Coletivo esteve presente no evento e pôde contar com a indignação de profissionais da área em relação às vagas ociosas e trotes nas Repúblicas Federais. Alguns pró reitores presenciaram (durante a noite) o trote do "Bixo Pelado" nas ruas de Ouro Preto.

Que vergonha, hein, UFOP...

+ sobre o assunto: http://www.ufop.br/index.php?option=com_content&task=view&id=2425&Itemid=196

4 de maio de 2008

Rock do Título! A democracia embriagada!!!


Estudante, veja como é simples se tornar um “cidadão” embriagado:

1º passo: Transfira urgentemente o seu título de eleitor para Ouro Preto...
2º passo: Após a transferência do título, dirija-se ao Rock do Título e troque o seu título de eleitor por 2 cervejas!

Com quantas cervejas se constrói a democracia?
Diante do exposto, convidamos você a refletir sobre como os organizadores do “Rock do Título” estão colaborando para que os estudantes da UFOP exerçam sua cidadania.

1) Além de uma contribuição ao efetivo exercício da cidadania por parte do alunado da UFOP, existirá algum interesse não declarado dos organizadores do “Rock do Título”? Não pretendem estes lançar um candidato para concorrer a um cargo público nas próximas eleições municipais, defendendo interesses privados de parcela dos estudantes da UFOP dentro do poder público?

2) Será que a única forma de envolver os jovens universitários da UFOP nos assuntos políticos da cidade é através de um “Rock”?. É possível desenvolver uma discussão produtiva sobre o valor e a necessidade da participação política do estudante num espaço como este?

3) Será que estamos reeditando a milenar prática política do pão e circo, agora com cerveja e curtição? É possível caminhar em direção ao óbvio reproduzindo e reforçando a norma?

O coletivo Amar e Mudar as Coisas adverte: Se beber, não vote!

15 de abril de 2008

Ocupação da Reitoria da UnB

Moção de apoio do Coletivo Estudantil Amar e Mudar as Coisas - UFOP

O Coletivo Amar e Mudar as Coisas - UFOP, grupo de estudantes de diversas áreas que constroem um movimento estudantil participativo na Universidade Federal de Ouro Preto, MG, expressa seu apoio irrestrito à ocupação da Reitoria da Universidade de Brasília.

Nos solidarizamos com todos os estudantes que nesse momento estão sem água e sem energia, mas que seguem resistindo. Acreditamos que esse seja o caminho.

Somos contrários a essa 'contra-reforma' universitária, contra a privatização da Universidade e contra as fundações ditas "de apoio" que, por meio do estreitamento das relações público-privadas, parasitam a Universidade Pública.
Desejamos que a luta dos estudantes da UnB seja um marco para o Movimento Estudantil.

VIVA O MOVIMENTO ESTUDANTIL!

VIVA A OCUPAÇÃO DA UnB!


COLETIVO AMAR E MUDAR AS COISAS - UFOP

11/04/2008

7 de abril de 2008

3 de abril de 2008

Manifesto utópico-tolo-artístico

Chamam-me de o tolo autêntico, de um ingênuo quase criança. Pois que assim me chamem, nada me é mais prazeroso, pois continuarei a recusar ser um vivente de tal realidade; jamais me renderei à “vida” que se tornou vaga de sentido, crua e maquinal. Que me atormentem! Mas não cansarei de negar-me a cantar essa vida-quase-morta.

Ante a esses realistas que não aborrecem de me apontar; ante a esses que, ironicamente, vivem prisioneiros de sua temporalidade repetida, escutando os sons habituais e cotidianos do chato despertador pela manhã, do tic-e-tac alucinante durante o dia-a-dia e da imutável vinheta do jornal das oito; ante a esses míopes viventes, que não enxergam outra pintura senão a das fachadas de suas próprias casas, ante a esses, eu exclamo: prefiro teimosamente ser tomado como um tolo que a viver numa sociedade dos espetáculos onde, em todas as partes, só encontro espectadores passivos!

Chamam-me de tolo. Ora vejam! Por fazer das utopias a minha verdadeira realidade? Tolo, por desejar à humanidade aquele lugar único, onde a pintura transformaria o simples cotidiano em uma única mistura de várias cores, onde a mera existência temporal tornar-se-ia harmonia musical e a vida, por sua vez, tomaria o teatro como palco infinito, cheio de sentidos, perspectivas e expressões.

Tolo, utópico e caduco,

Tolo, por não ser igual

Utópico, por não ser real

E caduco, sei lá por quê.”

Contra os senhores defensores da pretensa realidade, manifesto-me: opto por continuar a ser um simples imaginador, junto a outros sonhadores, do que a viver essa realidade mórbida, destrutiva, crua, competitiva e individualista. E se tomam o meu sonho diurno como vago, resta-me então entoar as palavras sutis do velho e jovem poeta:

“Se as coisas são inatingíveis... ora!

Não é motivo para não querê-las...

Que triste os caminhos, se não fora

A presença distante das estrelas.”

E que as fontes da utopia, ou da “tolice”, jamais se esgotem. E que essa sociedade utópica, ao qual eu vislumbro repleta de artes, invente-se em verdadeira realidade, plena de humanidade; nela não nos esqueceremos jamais que a capacidade de transformar a vida em arte é algo reconhecidamente humano. Ao final romperemos verticalmente a fria realidade: e que a nova experiência apareça, que o mundo espiritual e a função cósmica da utopia mantenham-se contra a miséria, a morte, e a frieza da técnica dos homens máquinas. Cabe a nós, humanos plenos, cuja luz ainda brilha, começarmos a fantástica jornada, a jornada da interpretação dos nossos sonhos acordados, buscando a totalidade do conceito utopia, onde a vida tornar-se-á finalmente o puro signo de nossa expressão, o puro signo do som de nossos anseios mais interiores.

26 de março de 2008

Carta Aberta à Coordenadoria de Assuntos Comunitários da Ufop sobre processo de preenchimento de 07 vagas ociosas em República Estudantil Federal

Ouro Preto, 26 de Março de 2008.


A UFOP, diante da informação de que a República Federal Jardim Zoológico chegou ao ponto de abrigar apenas um morador no começo deste semestre, por motivos não divulgados, e dispondo portanto de 07 vagas ociosas, lançou por meio da Coordenadoria de Assuntos Comunitários (CAC), no último mês de janeiro, o EDITAL CAC/PROAD/UFOP Nº 001/2008 com o objetivo de fazer valer a função destas 07 vagas: o preenchimento por estudantes da UFOP que não dispõem de outras condições para estabelecer-se em Ouro Preto, provindos, em boa parte, de outras cidades, condizendo-se assim com a política de incentivo a permanência dos discentes na UFOP, conforme previsto no próprio Estatuto das Residências Estudantis de Ouro Preto (RESOLUÇÃO CUNI Nº 779). O mesmo Estatuto também dá poderes à CAC para intervenções nestes casos de vagas ociosas.

Pelo critério avaliativo de seleção que demandava na seguinte ordem: coeficiente de rendimento escolar do inscrito, situação sócio-econômica precária e idade, a CAC divulgou em 07 de março de 2008 a lista dos candidatos que melhor atendiam suas exigências. O Edital, apesar de indicar o critério sócio-econômico como indispensável em sua seleção, não informou em suas cláusulas o valor da "caixinha", a taxa de contribuição mensal a ser paga por cada republicano da casa que dispunha das vagas ociosas. Ignorando que os felizardos selecionados não pudessem ter condições de pagar a "caixinha" da república a qual seriam encaminhados, uma vez que todos sabemos que boa parcela das repúblicas federais de Ouro Preto comportam gastos inacessíveis a pessoas de baixa renda, como assinaturas de TV a cabo, Internet banda larga, empregada e muita cerveja liberada.

Mesmo se tratando de moradias públicas, onde não se paga aluguel, e estando na lista de bens e propriedades da UFOP, uma universidade pública, estas casas, como é bem percebido pelos próprios ouropretanos durante o carnaval, atendem muitas das vezes a interesses privados e já deu demonstrações de relacionamento com a cidade por meio da "Responsabilidade Social", estratégia de marketing tão comum de empresas privadas que pretendem, algumas delas, maquiar também seus danos à cidade, ao meio ambiente e às populações mais pobres, por meio de ações meramente assistencialistas e que ajudam a perpetuar relações de "apadrinhamento" que, por fim, aprofundam a pobreza.

Os sete selecionados pela CAC foram convocados para uma conversa individual com a psicóloga da CAC, Marina Knaip Delôgo, na última segunda-feira, dia 24. Nesta entrevista foram colocadas as seguintes observações: a psicóloga soube informar que a "caixinha" da república era, em média, R$ 180,00, podendo ser alterado o valor mediante negociações com o decano Leandro. Esta "caixinha", segundo foi informado à ela, compreende diversos gastos como empregada e internet Velox.

Aos ingressantes indicados pela CAC não seriam aplicados trotes do tipo uso de placa e corte de cabelo. Informação contradizente com o que um dos já moradores apresentou ao primeiro selecionado encaminhado para a nova casa. Ao C.M.S. foi proposto usar a tradicional "placa de batalha de vaga" e marcar um "Z" em sua cabeça por durante seis meses.

Após a abertura o edital pela CAC, e a partir do carnaval, a república passou a contar com cinco moradores, e não apenas um como antes. Destes, alguns são calouros e estão recebendo trotes e alguns outros são moradores de outras repúblicas federais que foram morar lá. Mesmo tendo diminuído as vagas ociosas na República Jardim Zoológico, a psicóloga Marina garantiu que a CAC pretende fazer valer o edital indicando o mesmo número de estudantes selecionados para morar na casa. Ela afirmou ainda que os ingressantes deverão participar do convívio social estabelecido pelas repúblicas federais de Ouro Preto e que ao final de seis meses (um período) caberá ao Decano Leandro e demais moradores, exceto outros calouros, decidir finalmente se os ingressantes pela CAC permanecerão ou não na República. Isso está assegurado na Resolução CUNI Nº 779 (Estatuto das Repúblicas Federais) nos tópicos relacionados à convivência e adaptação.

Diante das circunstâncias, eu, Deivid Junio, estudante do 2º período de Filosofia, tendo sido selecionado em 7º lugar, optei por recusar a moradia na República Jardim Zoológico, uma vez que não tenho condições financeiras de pagar a "caixinha" da república, sendo bolsista integral nos Restaurantes Universitários. Recuso-me a morar numa casa onde outros calouros, ingressados por outro processo, são submetidos ao trote.

Recuso-me a ingressar numa casa por indicação da CAC sendo que esta Coordenadoria não se compromete em assegurar minha permanência, cabendo ao Decano, autoridade que tenho o direito de ignorar, a decisão de que se devo ou não permanecer após um período de "batalha".

Recuso-me a aceitar este critério estabelecido pela CAC que, ao invés de atender uma parcela de estudantes necessitados de moradia, dá atenção a uma suposta tradição antes de tomar suas próprias decisões.

Recuso-me ao ingresso em moradia pública estudantil da Ufop nesses moldes. Percebo o direito à moradia pública nesta Universidade claramente limitado e constituído de modo a atender o interesse de uma minoria que zela por perpetuar tradições injustas e que favorecem, conforme a mesma psicóloga admitiu, "interesses privados".

Recuso-me a ingressar na República Federal Jardim Zoológico porque rejeito toda esta tradição que oprime as decisões da própria Coordenadoria de Assuntos Comunitários da Ufop, que deveria agir em favor dos estudantes de baixa renda.

Oxalá, encontremos o caminho!
Deivid Junio
--
Graduando em Filosofia – 2º período
Universidade Federal de Ouro Preto

5 de março de 2008

Encontro “UFOP: Mais cursos, mais vagas, mais oportunidades para você” dia 12/03.

Divulgado no site da UFOP:

05-Mar-2008

A Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) realiza, em 12 de março, o Encontro “UFOP: Mais cursos, mais vagas, mais oportunidades para você” no Centro de Convenções, de 13h30min às 15h. O objetivo é apresentar aos dirigentes de escolas de ensino médio, coordenadores pedagógicos, professores vinculados à 25ª Superintendência Regional de Ensino e aos cursos preparatórios para o vestibular, informações sobre o 2º Vestibular UFOP de 2008, que conta com duas novidades: a implantação do Reuni e a Política de Ação Afirmativa para egressos de escolas públicas.

Em dezembro de 2007, a UFOP aderiu ao Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), um dos projetos do governo federal criado a partir do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE).

O Reuni é um programa que visa criar condições para a ampliação do acesso e permanência no ensino superior, pelo aproveitamento da estrutura física e de recursos existentes nas universidades federais.

O Projeto Institucional reestruturado a partir do Reuni inclui a criação de quatorze novos cursos de graduação, sendo que oito desses serão oferecidos a partir do próximo semestre, o aumento no número de vagas dos cursos já existentes, aumento no número de técnico-administrativos e de docentes e mudanças na infra-estrutura dos campi da UFOP.

Além disso, a UFOP, a partir do próximo processo seletivo, adotará para cursos de graduação a política de ação afirmativa para candidatos egressos de escola pública.


Mais informações www.ufop.br


15 de fevereiro de 2008

UFOP aprova cotas para estudantes de escolas públicas

Na última quarta-feira, 13 de fevereiro, o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE), da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), aprovou a adoção de cotas sociais para o ingresso de novos alunos na Instituição.

Já no próximo vestibular, que selecionará alunos para ingressarem na UFOP em agosto, ficam garantidas 30% das vagas disponíveis em cada curso para candidatos aprovados que tenham estudado o Ensino Médio integralmente em escolas públicas.

Nesse processo, a Universidade disponibilizará 1.113 vagas em 29 graduações, sendo que dessas estão incluídos os oito novos cursos e outros 17 com aumento de vagas.

Em breve, será lançado o processo seletivo para o 2º Vestibular 2008 e as especificações do sistema de cotas sociais adotado pela UFOP estarão no Manual do Candidato.

fonte: http://www.ufop.br/index.php?option=com_content&task=view&id=1849&Itemid=196

24 de janeiro de 2008

Inscrição para vagas ociosas em Repúblicas Federais


A Coordenadoria de Assuntos Comunitários (CAC) abre inscrição para ocupação das vagas ociosas nas repúblicas federais. As inscrições podem ser feitas de 23 a 31 de janeiro, das 13 às 16 horas, na CAC no Centro de Vivência do Campus do Morro do Cruzeiro.

Poderão se inscrever os discentes
interessados em morar em Residência Estudantil da UFOP.

... não se admitindo em nenhuma
hipótese a existência de vagas ociosas....

§3º - Caso os moradores da Residência Estudantil não consigam preencher as vagas
ociosas por critérios próprios de seleção, deverá a Coordenadoria de Assuntos
Comunitários (CAC), ouvida a Comissão de Repúblicas Federais (REFOP), indicar
discentes para o preenchimento das vagas.

Vagas disponíveis: 07 vagas.
Requisitos:
- Estar cursando até o 4º período letivo;
- Ter bom coeficiente de rendimento semestral (igual ou
superior a seis pontos).

Critérios de classificação:
1º - Coeficiente de rendimento semestral;
2º - Idade;
3º - Estar inserido no Programa Bolsa-Alimentação
(qualquer categoria).

- Os candidatos selecionados serão chamados a entrevistas (individual
e coletiva), para esclarecimentos e análise/organização da República com
vagas ociosas.

Documentos exigidos:
Xerox do:
- RG;
- Comprovante de matrícula;
- Coeficiente de rendimento semestral;
- Comprovante de residência (Conta de luz,
Telefone, Contrato de Aluguel, etc..).

Pessoal, apesar de não estar muito claro o edital da CAC, se inscrevam, divulguem!!!
Vale a pena tentar!!