Vale a pena dar uma olhada:
http://sonaufop.wordpress.com/
22 de novembro de 2007
13 de novembro de 2007
O amor; as mudanças
(a Belchior)
o poetautor cearense
de música e letra
imprimiu no vinil:
‘amar e mudar as coisas’
palavra e vontade a fundir-se
na boca de atuais estudantes
em terras geraes como antes
por braços igual-mente atuantes
a arrancar outros ouros do chão:
alojamentos, mais recursos, apoios
a participação de todos em importantes decisões
pão!... bandejão! – tocam os sinos de Minas
fazer o valor de uma universidade de verdade
mais números, porém mais qualidade
sem sucateamento do ensino
REUNI e outros projetos fadados
putas serviçais do mercado
não querem pensantes os estudantes
pra só dizerem palavrinhas
fazerem continhas e outras abobrinhas
e não dizerem o palavrão:
DEMOCRATIZAÇÃO!
(deivid junio)
12 de novembro de 2007
Manifesto – assistência estudantil
São muitas as dificuldades de criar um movimento estudantil interessado em discutir a relação Sociedade x Universidade e consequentemente a questão da assistência estudantil. Primeiramente porque é uma árdua luta contra nossas próprias convenções e convicções, afinal lutamos contra todo o sistema ideológico vigente, perverso e tirano. Torna-se mais difícil quando grande parte dos universitários não tem dimensão do estado de penúria e privações que a maioria da humanidade enfrenta. Bem alimentado, entretido e manipulado muitas vezes perde sua capacidade de crítica e contestação.
A universidade funciona como uma ilha, isolada da sociedade, daí a dificuldade do estudante em se identificar com a luta do seu povo. Descompromissada com a sociedade que a sustenta, em grande parte visa uma produção em série de mão-de-obra qualificada. Autômatos para o mercado, ao invés de formar pensadores e pesquisadores à serviço do povo. Grande parte das pesquisas aqui geradas não são voltadas ao bem estar comum, mas para o lucro de poucos. Esse caráter mercadológico aparece claramente refletido no investimento extremamente desigual entre os cursos. A universidade, dessa maneira, não nos parece coerente.
No ensino público básico, a falta de investimentos em estrutura, professores e diretrizes pedagógicas inadequadas à realidade do povo brasileiro, faz com que poucos, fora a elite muito bem diplomada em uma boa escola particular, consigam chegar a uma instituição pública de ensino superior. Estes raros que chegam na universidade, após vencer a penosa e excludente seleção do vestibular, se deparam com o humilhante descaso com a assistência estudantil: uma constante em quase todas as faculdades públicas brasileiras.
Este é o contexto de nossa luta por moradia em Ouro Preto. Ao contrário do que muitos falam, não temos ódio dos moradores de repúblicas nem invejamos o estilo de vida dos republicanos. Lutamos pelo estudante de baixa renda, que resistiu a maré de fatalidades que se impôs durante toda a sua breve vida, e chega na UFOP desamparado financeira e psicologicamente. Muitos calouros abandonam o curso logo no início, por perceber as adversidades que enfrentará até, quem sabe um dia, depois de um bom tempo, conseguir uma vaga no alojamento. Distantes de um acesso democrático e justo estão as repúblicas federais e suas vagas ociosas. Com trotes hiper-abusivos, falta de critério objetivo de seleção e mensalidades, em muitos casos, inacessíveis, devido a auto-gestão, não podemos considerar essas casas parte da já precária assistência estudantil. Cogitamos a idéia da construção de novos alojamentos, mas não podemos abandonar a reivindicação da democratização, qual seja, a de que a universidade mantenha essas casas e a seleção para essas vagas sejam feitas mediante um critério sócio-econômico. O acesso à moradia (casas e não sempre alojamentos de quartos) pelo critério sócio-econômico é uma realidade em muitas universidades federais, e não há, além de toda a vaidade, problemas que impeçam o seu bom funcionamento e convivência. Moradia universitária pública é fundamental para a permanência desses estudantes e, portanto, não podemos permitir que sejam utilizadas como máquinas de dinheiro em nome dos interesses mais escusos.
Neste sentido, reivindicamos também agilidade no processo de cadastramento de bolsas-alimentação, a construção de alojamentos provisórios, e bolsas-permanência para todos os cursos, o que poderia resolver o problema da permanência imediata do calouro. Pedimos que o RU ofereça café da manhã e jantar aos sábados e domingos. Outro ponto fundamental é a implantação de transporte gratuito oferecido pela UFOP ligando os campus mariana, centro e morro do cruzeiro.
O desafio é grande, e ainda não estamos certos dos meios de luta para concretizarmos nossas idéias. Mas nos entristece ver que muitos dos que sofrem por problemas de assistência estudantil não participam dessa importante luta, pois estão submetidos ao eterno silencio do discurso do imutável.
O problema da elitização da universidade e da assistência estudantil só será realmente resolvido quando os estudantes se identificarem com o destino de seu povo, e enfrentar com ele a luta por educação, saúde, cultura, terra e liberdade. Caso contrário, seremos sempre aliados de seus opressores.
A universidade funciona como uma ilha, isolada da sociedade, daí a dificuldade do estudante em se identificar com a luta do seu povo. Descompromissada com a sociedade que a sustenta, em grande parte visa uma produção em série de mão-de-obra qualificada. Autômatos para o mercado, ao invés de formar pensadores e pesquisadores à serviço do povo. Grande parte das pesquisas aqui geradas não são voltadas ao bem estar comum, mas para o lucro de poucos. Esse caráter mercadológico aparece claramente refletido no investimento extremamente desigual entre os cursos. A universidade, dessa maneira, não nos parece coerente.
No ensino público básico, a falta de investimentos em estrutura, professores e diretrizes pedagógicas inadequadas à realidade do povo brasileiro, faz com que poucos, fora a elite muito bem diplomada em uma boa escola particular, consigam chegar a uma instituição pública de ensino superior. Estes raros que chegam na universidade, após vencer a penosa e excludente seleção do vestibular, se deparam com o humilhante descaso com a assistência estudantil: uma constante em quase todas as faculdades públicas brasileiras.
Este é o contexto de nossa luta por moradia em Ouro Preto. Ao contrário do que muitos falam, não temos ódio dos moradores de repúblicas nem invejamos o estilo de vida dos republicanos. Lutamos pelo estudante de baixa renda, que resistiu a maré de fatalidades que se impôs durante toda a sua breve vida, e chega na UFOP desamparado financeira e psicologicamente. Muitos calouros abandonam o curso logo no início, por perceber as adversidades que enfrentará até, quem sabe um dia, depois de um bom tempo, conseguir uma vaga no alojamento. Distantes de um acesso democrático e justo estão as repúblicas federais e suas vagas ociosas. Com trotes hiper-abusivos, falta de critério objetivo de seleção e mensalidades, em muitos casos, inacessíveis, devido a auto-gestão, não podemos considerar essas casas parte da já precária assistência estudantil. Cogitamos a idéia da construção de novos alojamentos, mas não podemos abandonar a reivindicação da democratização, qual seja, a de que a universidade mantenha essas casas e a seleção para essas vagas sejam feitas mediante um critério sócio-econômico. O acesso à moradia (casas e não sempre alojamentos de quartos) pelo critério sócio-econômico é uma realidade em muitas universidades federais, e não há, além de toda a vaidade, problemas que impeçam o seu bom funcionamento e convivência. Moradia universitária pública é fundamental para a permanência desses estudantes e, portanto, não podemos permitir que sejam utilizadas como máquinas de dinheiro em nome dos interesses mais escusos.
Neste sentido, reivindicamos também agilidade no processo de cadastramento de bolsas-alimentação, a construção de alojamentos provisórios, e bolsas-permanência para todos os cursos, o que poderia resolver o problema da permanência imediata do calouro. Pedimos que o RU ofereça café da manhã e jantar aos sábados e domingos. Outro ponto fundamental é a implantação de transporte gratuito oferecido pela UFOP ligando os campus mariana, centro e morro do cruzeiro.
O desafio é grande, e ainda não estamos certos dos meios de luta para concretizarmos nossas idéias. Mas nos entristece ver que muitos dos que sofrem por problemas de assistência estudantil não participam dessa importante luta, pois estão submetidos ao eterno silencio do discurso do imutável.
O problema da elitização da universidade e da assistência estudantil só será realmente resolvido quando os estudantes se identificarem com o destino de seu povo, e enfrentar com ele a luta por educação, saúde, cultura, terra e liberdade. Caso contrário, seremos sempre aliados de seus opressores.
Sobre o REUNI
Cabe analisarmos alguns fundamentos do programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais, o REUNI, para suscitarmos, em seguida, algumas questões relativas à atual redimensionalização da universidade e dos estudantes.
Porque não somos a favor do REUNI
O REUNI é um programa deste governo que visa dobrar o número de alunos no ensino superior público
em 5 anos. No entanto, o aumento do número de alunos não é proporcionalmente seguido do aumento de infra-estrutura, corpo docente e técnicos administrativos. O Reuni propõe que a relação aluno/professor aumente de 12/1 para 18/1, o que dificulta o incentivo a pesquisa e empobrece a efetivação da principal função da universidade diante da comunidade: o ensino e a extensão. Em suma, pretende-se aumentar o número de alunos e não de professores na sala de aula. Dentre outros fatores, o Reuni torna obrigatória, a todas as instituições que aderirem ao programa, a meta de aprovação sem critérios de 90% dos alunos após a duração do curso, o que contribuirá para a precarização da universidade pública tal como aconteceu com o ensino fundamental e médio após a ditadura militar. Diante disso, podemos levantar a seguinte questão: o estudante não precisa ser avaliado quanto a conhecimentos adquiridos em seu curso? Ora, o que pretende a Universidade senão a formação e transmissão de conhecimentos? Um aluno pode adquirir status acadêmico através da referida aprovação? As medidas que esse projeto do governo pretende impor no ensino visam somente a resultados estatísticos no que diz respeito apenas ao número de formandos, colocando a própria qualidade profissional em último plano.
É importante ressaltar que somos a favor de abertura do número de vagas na universidade pública, desde que haja o bom aproveitamento por parte dos alunos ingressantes e que a universidade tenha suporte para tanto.
A UFOP, como tantas outras universidades públicas, sofre com um processo de precarização do seu ensino e de sua infra-estrutura, antes mesmo da adesão ao Reuni, como a diminuição da presença de professores qualificados devido ao uso abusivo de professores substitutos. Aderir ao REUNI, que não aumenta o investimento proporcional ao aumento dos alunos, não iria tornar os problemas da UFOP ainda mais graves, além de criar novos problemas? Como superlotação dos RUs e uma demanda muito maior por moradia? Expandir sim, mas com qualidade! Vimos este ano uma grande resistência por parte dos estudantes de federais ao REUNI, só no mês passado se iniciaram 13 ocupações de reitoria com a pauta contra o projeto em suas universidades. Participe desta luta, discuta o REUNI !
A Redimensionalização da Universidade e dos Estudantes
Diante tal quadro, podemos ver que a universidade torna-se, a cada dia, um braço mutilado de nossa sociedade, fechada em seu academicismo empinado, enquanto é aproveitada indevidamente por interesses escusos. Já nós, os estudantes, cedendo aos interesses de uma ordem fria, preferimos recolher-nos no nível da unidimensionalidade e do tecnicismo, assistindo entorpecidos aos assassinatos cruéis de nossas consciências, recusando o total e verdadeiro desenvolvimento de nossas potencialidades humanas em troca do conforto de uma preservação manipulada: dar-nos-ão o título, o emprego e o destino, numa sociedade completamente mecanizada, dedicada à máxima produção e consumo materiais dirigida por computadores; e, nesse processo social, o próprio homem está sendo transformado numa parte da máquina total, bem alimentado e distraído, porém passivo, não-vivo e com pouco sentimento.
A nós estudantes, cabe dizer: não nos tardará o dia em que lamentaremos ter estudado numa universidade, que hoje é a causa eficiente de nosso automatismo. E não nos faltarão, em breve, oportunidades para que nos espantemos diante a imensidão do futuro imutável, enquanto que morrem calados os momentos propícios para que falemos. Ainda permanece inerte o quadro contraditório do qual preferimos nos silenciar, com o álcool na boca e a vista turva, aceitando passivamente o acaso que, por sua vez, acabará inevitavelmente tornando-se fatalidade.
Devemos, por fim, decidir se nós sairemos da pátria do orgânico, do humano, rumo à direção do abstrato inorgânico, do imutável e do imóvel. Mesmo essa instituição que, por essência, deveria potencializar ao máximo todas as nossas capacidades, não fará mais do que nos formatar e nos transformar em mercadorias eficazes, capazes de manter o consumo insustentável do qual se alimenta a nossa sociedade.
Porque não somos a favor do REUNI
O REUNI é um programa deste governo que visa dobrar o número de alunos no ensino superior público
em 5 anos. No entanto, o aumento do número de alunos não é proporcionalmente seguido do aumento de infra-estrutura, corpo docente e técnicos administrativos. O Reuni propõe que a relação aluno/professor aumente de 12/1 para 18/1, o que dificulta o incentivo a pesquisa e empobrece a efetivação da principal função da universidade diante da comunidade: o ensino e a extensão. Em suma, pretende-se aumentar o número de alunos e não de professores na sala de aula. Dentre outros fatores, o Reuni torna obrigatória, a todas as instituições que aderirem ao programa, a meta de aprovação sem critérios de 90% dos alunos após a duração do curso, o que contribuirá para a precarização da universidade pública tal como aconteceu com o ensino fundamental e médio após a ditadura militar. Diante disso, podemos levantar a seguinte questão: o estudante não precisa ser avaliado quanto a conhecimentos adquiridos em seu curso? Ora, o que pretende a Universidade senão a formação e transmissão de conhecimentos? Um aluno pode adquirir status acadêmico através da referida aprovação? As medidas que esse projeto do governo pretende impor no ensino visam somente a resultados estatísticos no que diz respeito apenas ao número de formandos, colocando a própria qualidade profissional em último plano.
É importante ressaltar que somos a favor de abertura do número de vagas na universidade pública, desde que haja o bom aproveitamento por parte dos alunos ingressantes e que a universidade tenha suporte para tanto.
A UFOP, como tantas outras universidades públicas, sofre com um processo de precarização do seu ensino e de sua infra-estrutura, antes mesmo da adesão ao Reuni, como a diminuição da presença de professores qualificados devido ao uso abusivo de professores substitutos. Aderir ao REUNI, que não aumenta o investimento proporcional ao aumento dos alunos, não iria tornar os problemas da UFOP ainda mais graves, além de criar novos problemas? Como superlotação dos RUs e uma demanda muito maior por moradia? Expandir sim, mas com qualidade! Vimos este ano uma grande resistência por parte dos estudantes de federais ao REUNI, só no mês passado se iniciaram 13 ocupações de reitoria com a pauta contra o projeto em suas universidades. Participe desta luta, discuta o REUNI !
A Redimensionalização da Universidade e dos Estudantes
Diante tal quadro, podemos ver que a universidade torna-se, a cada dia, um braço mutilado de nossa sociedade, fechada em seu academicismo empinado, enquanto é aproveitada indevidamente por interesses escusos. Já nós, os estudantes, cedendo aos interesses de uma ordem fria, preferimos recolher-nos no nível da unidimensionalidade e do tecnicismo, assistindo entorpecidos aos assassinatos cruéis de nossas consciências, recusando o total e verdadeiro desenvolvimento de nossas potencialidades humanas em troca do conforto de uma preservação manipulada: dar-nos-ão o título, o emprego e o destino, numa sociedade completamente mecanizada, dedicada à máxima produção e consumo materiais dirigida por computadores; e, nesse processo social, o próprio homem está sendo transformado numa parte da máquina total, bem alimentado e distraído, porém passivo, não-vivo e com pouco sentimento.
A nós estudantes, cabe dizer: não nos tardará o dia em que lamentaremos ter estudado numa universidade, que hoje é a causa eficiente de nosso automatismo. E não nos faltarão, em breve, oportunidades para que nos espantemos diante a imensidão do futuro imutável, enquanto que morrem calados os momentos propícios para que falemos. Ainda permanece inerte o quadro contraditório do qual preferimos nos silenciar, com o álcool na boca e a vista turva, aceitando passivamente o acaso que, por sua vez, acabará inevitavelmente tornando-se fatalidade.
Devemos, por fim, decidir se nós sairemos da pátria do orgânico, do humano, rumo à direção do abstrato inorgânico, do imutável e do imóvel. Mesmo essa instituição que, por essência, deveria potencializar ao máximo todas as nossas capacidades, não fará mais do que nos formatar e nos transformar em mercadorias eficazes, capazes de manter o consumo insustentável do qual se alimenta a nossa sociedade.
8 de novembro de 2007
Eco nas montanhas
de ter o desejo nas mãos
lançar mãos no topo do nada
livros e pensamentos livres
amar e as coisas mudar
a mudar feito vento no arenito
tempoágua contra o granito
ver-se forte quando mosquito
a mudar a mudar a voar
por melhor ar
neste lugar
aqui d’outro jeito
há que lutar por espaço
pra cá convergiram-se os passos
atrás do que lhes é de direito:
educação
liberdade
educação
liberdade
ensino
pesquisa
extensão
liberdade
em ouro preto mariana monlevade
moradia
há que ser pública pública
repito: pública
e liberdade
li verdade
arde arde
arde arde
(deivid junio)
lançar mãos no topo do nada
livros e pensamentos livres
amar e as coisas mudar
a mudar feito vento no arenito
tempoágua contra o granito
ver-se forte quando mosquito
a mudar a mudar a voar
por melhor ar
neste lugar
aqui d’outro jeito
há que lutar por espaço
pra cá convergiram-se os passos
atrás do que lhes é de direito:
educação
liberdade
educação
liberdade
ensino
pesquisa
extensão
liberdade
em ouro preto mariana monlevade
moradia
há que ser pública pública
repito: pública
e liberdade
li verdade
arde arde
arde arde
(deivid junio)
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