diário de Ouro Preto - terça-feira 07 de Abril de 2008 - p8
7 de abril de 2008
3 de abril de 2008
Manifesto utópico-tolo-artístico
Chamam-me de o tolo autêntico, de um ingênuo quase criança. Pois que assim me chamem, nada me é mais prazeroso, pois continuarei a recusar ser um vivente de tal realidade; jamais me renderei à “vida” que se tornou vaga de sentido, crua e maquinal. Que me atormentem! Mas não cansarei de negar-me a cantar essa vida-quase-morta.
Ante a esses realistas que não aborrecem de me apontar; ante a esses que, ironicamente, vivem prisioneiros de sua temporalidade repetida, escutando os sons habituais e cotidianos do chato despertador pela manhã, do tic-e-tac alucinante durante o dia-a-dia e da imutável vinheta do jornal das oito; ante a esses míopes viventes, que não enxergam outra pintura senão a das fachadas de suas próprias casas, ante a esses, eu exclamo: prefiro teimosamente ser tomado como um tolo que a viver numa sociedade dos espetáculos onde, em todas as partes, só encontro espectadores passivos!
Chamam-me de tolo. Ora vejam! Por fazer das utopias a minha verdadeira realidade? Tolo, por desejar à humanidade aquele lugar único, onde a pintura transformaria o simples cotidiano em uma única mistura de várias cores, onde a mera existência temporal tornar-se-ia harmonia musical e a vida, por sua vez, tomaria o teatro como palco infinito, cheio de sentidos, perspectivas e expressões.
“Tolo, utópico e caduco,
Tolo, por não ser igual
Utópico, por não ser real
E caduco, sei lá por quê.”
Contra os senhores defensores da pretensa realidade, manifesto-me: opto por continuar a ser um simples imaginador, junto a outros sonhadores, do que a viver essa realidade mórbida, destrutiva, crua, competitiva e individualista. E se tomam o meu sonho diurno como vago, resta-me então entoar as palavras sutis do velho e jovem poeta:
“Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que triste os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas.”
E que as fontes da utopia, ou da “tolice”, jamais se esgotem. E que essa sociedade utópica, ao qual eu vislumbro repleta de artes, invente-se em verdadeira realidade, plena de humanidade; nela não nos esqueceremos jamais que a capacidade de transformar a vida em arte é algo reconhecidamente humano. Ao final romperemos verticalmente a fria realidade: e que a nova experiência apareça, que o mundo espiritual e a função cósmica da utopia mantenham-se contra a miséria, a morte, e a frieza da técnica dos homens máquinas. Cabe a nós, humanos plenos, cuja luz ainda brilha, começarmos a fantástica jornada, a jornada da interpretação dos nossos sonhos acordados, buscando a totalidade do conceito utopia, onde a vida tornar-se-á finalmente o puro signo de nossa expressão, o puro signo do som de nossos anseios mais interiores.
26 de março de 2008
Carta Aberta à Coordenadoria de Assuntos Comunitários da Ufop sobre processo de preenchimento de 07 vagas ociosas em República Estudantil Federal
A UFOP, diante da informação de que a República Federal Jardim Zoológico chegou ao ponto de abrigar apenas um morador no começo deste semestre, por motivos não divulgados, e dispondo portanto de 07 vagas ociosas, lançou por meio da Coordenadoria de Assuntos Comunitários (CAC), no último mês de janeiro, o EDITAL CAC/PROAD/UFOP Nº 001/2008 com o objetivo de fazer valer a função destas 07 vagas: o preenchimento por estudantes da UFOP que não dispõem de outras condições para estabelecer-se em Ouro Preto, provindos, em boa parte, de outras cidades, condizendo-se assim com a política de incentivo a permanência dos discentes na UFOP, conforme previsto no próprio Estatuto das Residências Estudantis de Ouro Preto (RESOLUÇÃO CUNI Nº 779). O mesmo Estatuto também dá poderes à CAC para intervenções nestes casos de vagas ociosas.
Pelo critério avaliativo de seleção que demandava na seguinte ordem: coeficiente de rendimento escolar do inscrito, situação sócio-econômica precária e idade, a CAC divulgou em 07 de março de 2008 a lista dos candidatos que melhor atendiam suas exigências. O Edital, apesar de indicar o critério sócio-econômico como indispensável em sua seleção, não informou em suas cláusulas o valor da "caixinha", a taxa de contribuição mensal a ser paga por cada republicano da casa que dispunha das vagas ociosas. Ignorando que os felizardos selecionados não pudessem ter condições de pagar a "caixinha" da república a qual seriam encaminhados, uma vez que todos sabemos que boa parcela das repúblicas federais de Ouro Preto comportam gastos inacessíveis a pessoas de baixa renda, como assinaturas de TV a cabo, Internet banda larga, empregada e muita cerveja liberada.
Mesmo se tratando de moradias públicas, onde não se paga aluguel, e estando na lista de bens e propriedades da UFOP, uma universidade pública, estas casas, como é bem percebido pelos próprios ouropretanos durante o carnaval, atendem muitas das vezes a interesses privados e já deu demonstrações de relacionamento com a cidade por meio da "Responsabilidade Social", estratégia de marketing tão comum de empresas privadas que pretendem, algumas delas, maquiar também seus danos à cidade, ao meio ambiente e às populações mais pobres, por meio de ações meramente assistencialistas e que ajudam a perpetuar relações de "apadrinhamento" que, por fim, aprofundam a pobreza.
Os sete selecionados pela CAC foram convocados para uma conversa individual com a psicóloga da CAC, Marina Knaip Delôgo, na última segunda-feira, dia 24. Nesta entrevista foram colocadas as seguintes observações: a psicóloga soube informar que a "caixinha" da república era, em média, R$ 180,00, podendo ser alterado o valor mediante negociações com o decano Leandro. Esta "caixinha", segundo foi informado à ela, compreende diversos gastos como empregada e internet Velox.
Aos ingressantes indicados pela CAC não seriam aplicados trotes do tipo uso de placa e corte de cabelo. Informação contradizente com o que um dos já moradores apresentou ao primeiro selecionado encaminhado para a nova casa. Ao C.M.S. foi proposto usar a tradicional "placa de batalha de vaga" e marcar um "Z" em sua cabeça por durante seis meses.
Após a abertura o edital pela CAC, e a partir do carnaval, a república passou a contar com cinco moradores, e não apenas um como antes. Destes, alguns são calouros e estão recebendo trotes e alguns outros são moradores de outras repúblicas federais que foram morar lá. Mesmo tendo diminuído as vagas ociosas na República Jardim Zoológico, a psicóloga Marina garantiu que a CAC pretende fazer valer o edital indicando o mesmo número de estudantes selecionados para morar na casa. Ela afirmou ainda que os ingressantes deverão participar do convívio social estabelecido pelas repúblicas federais de Ouro Preto e que ao final de seis meses (um período) caberá ao Decano Leandro e demais moradores, exceto outros calouros, decidir finalmente se os ingressantes pela CAC permanecerão ou não na República. Isso está assegurado na Resolução CUNI Nº 779 (Estatuto das Repúblicas Federais) nos tópicos relacionados à convivência e adaptação.
Diante das circunstâncias, eu, Deivid Junio, estudante do 2º período de Filosofia, tendo sido selecionado em 7º lugar, optei por recusar a moradia na República Jardim Zoológico, uma vez que não tenho condições financeiras de pagar a "caixinha" da república, sendo bolsista integral nos Restaurantes Universitários. Recuso-me a morar numa casa onde outros calouros, ingressados por outro processo, são submetidos ao trote.
Recuso-me a ingressar numa casa por indicação da CAC sendo que esta Coordenadoria não se compromete em assegurar minha permanência, cabendo ao Decano, autoridade que tenho o direito de ignorar, a decisão de que se devo ou não permanecer após um período de "batalha".
Recuso-me a aceitar este critério estabelecido pela CAC que, ao invés de atender uma parcela de estudantes necessitados de moradia, dá atenção a uma suposta tradição antes de tomar suas próprias decisões.
Recuso-me ao ingresso em moradia pública estudantil da Ufop nesses moldes. Percebo o direito à moradia pública nesta Universidade claramente limitado e constituído de modo a atender o interesse de uma minoria que zela por perpetuar tradições injustas e que favorecem, conforme a mesma psicóloga admitiu, "interesses privados".
Recuso-me a ingressar na República Federal Jardim Zoológico porque rejeito toda esta tradição que oprime as decisões da própria Coordenadoria de Assuntos Comunitários da Ufop, que deveria agir em favor dos estudantes de baixa renda.
Oxalá, encontremos o caminho!
Deivid Junio
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Graduando em Filosofia – 2º período
Universidade Federal de Ouro Preto
5 de março de 2008
Encontro “UFOP: Mais cursos, mais vagas, mais oportunidades para você” dia 12/03.
| 05-Mar-2008 | |
| A Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) realiza, em 12 de março, o Encontro “UFOP: Mais cursos, mais vagas, mais oportunidades para você” no Centro de Convenções, de 13h30min às 15h. O objetivo é apresentar aos dirigentes de escolas de ensino médio, coordenadores pedagógicos, professores vinculados à 25ª Superintendência Regional de Ensino e aos cursos preparatórios para o vestibular, informações sobre o 2º Vestibular UFOP de 2008, que conta com duas novidades: a implantação do Reuni e a Política de Ação Afirmativa para egressos de escolas públicas. Mais informações www.ufop.br |
15 de fevereiro de 2008
UFOP aprova cotas para estudantes de escolas públicas
Já no próximo vestibular, que selecionará alunos para ingressarem na UFOP em agosto, ficam garantidas 30% das vagas disponíveis em cada curso para candidatos aprovados que tenham estudado o Ensino Médio integralmente em escolas públicas.
Nesse processo, a Universidade disponibilizará 1.113 vagas em 29 graduações, sendo que dessas estão incluídos os oito novos cursos e outros 17 com aumento de vagas.
Em breve, será lançado o processo seletivo para o 2º Vestibular 2008 e as especificações do sistema de cotas sociais adotado pela UFOP estarão no Manual do Candidato.
fonte: http://www.ufop.br/index.php?option=com_content&task=view&id=1849&Itemid=196